Participantes :

Toyota Land Cruiser
Paulo Arroteia – papabeer
Teresa Arroteia
Ana Arroteia
Bruno Arroteia

Hunimog
Carlos Oliveira – charlie óscar
Nanda Oliveira
Andrea Oliveira

Toyota Prado
Rui Ruivo
Leonor Ruivo
Margarida Ruivo


A nossa viagem iniciou em Luanda no dia 17 de Dezembro de 2005, com o objectivo de passar o Natal na nossa vizinha Namíbia e o Fim de Ano já em Angola na zona de Bentiaba.
A nossa caravana de 10 empoeirados era composta por 3 carros de 3 famílias que conviveram e se divertiram durante 19 espectaculares dias.

À saída de Luanda eram 4 carros, o “charlie óscar” levava a sua pick up Mitsubishi Strakar para fazer a viagem dentro da Namíbia, só que nem chegou a Benguela, perto da entrada para o Dui o motor disse que estava cansado, só havia uma solução, rebocar até ao Lobito, devo dizer que foi uma tremenda aventura, em certos momentos perigosa, o “papabeer” dentro da Mitsubishi a ser rebocado pelo Hunimog, com um cabo de reboque bastante curto, os travões duros, a direcção super dura, à minha frente só via a traseira do Hunimog, a fazer os buracos de Vale Guerra e a Canjala, é dose e depois aquele Hunimog parece que só tem uma velocidade, haja buracos ou bom asfalto a velocidade engrenada é sempre a mesma, enfim lá chegamos ao Lobito onde contactamos o nosso companheiro Marito que guardou o carro para podermos seguir viagem, para o primeiro dia, nada mau.

O nosso segundo dia iria ser o mais espectacular de toda a viagem, começou quando durante o jantar do primeiro dia, decidimos fazer o troço Benguela-Lubango por Quilengues, normalmente fazemos as pedras do Cimo, quisemos mudar e fazer o Cimo no regresso, saímos de Benguela eram 8,45 horas, a maior parte do trajecto até Cacula (cruzamento para o Huambo) a estrada tem pequenos troços que foram reparados e se anda razoavelmente, são 260 kilómetros que fizemos em 7,30 horas, com paragem de 1 hora para o almoço em Chongoroi, onde montamos a nossa cozinha, mesa e cadeiras, 15 minutos em Quilengues e mais 2 ou 3 pequenas paragens normais nestes nossos passeios, este troço faz-se sem qualquer problema em menos de 6 horas, continuamos para fazer os últimos 100 kms, ainda paramos para tentarmos ajudar um camião que tinha tombado e precisava mover de lugar um atrelado carregado de cebola, em vão, estivemos parados por volta de 20 minutos, estava a começar a chover, mas que chuva, torrencial, que já vinha dos lados do Lubango, a viagem prosseguiu com o sol a bazar, a noite a cair, estávamos a chegar à pior zona, onde os buracos são maiores que os carros, buracos ? onde é que eles estão ? a chuva era tanta, a agua ainda mais, os buracos cheios de água, as alternativas cheias de água, e agora ? passamos por onde ? Raid é Raid, vamos embora, só visto para sentir o prazer do espectáculo da travessia, o segundo dia terminaria com a chegada ao Lubango, eram 19,45 horas, foram 360 kms de Benguela ao Lubango.

O terceiro dia estava destinado a passarmos a fronteira de Santa Clara, só que o troço de Lubango-Cahama fatigou-nos de tal forma devido ao estado da estrada, buracos com algum asfalto, são os piores troços, partem os carros e cansam, assim ao chegarmos à Cahama e depois de nos informarmos do estado da estrada até Ondjiva, desistimos e fomos para a fronteira de Calueque, em boa hora o decidimos, era a fronteira que me faltava das 4 existentes no sul de Angola, o caminho é lindíssimo e a picada bastante agradável de se fazer, mas com o acumular das chuvas torna-se bastante complicada, ainda apanhamos alguns lamaceiros interessantes para animar a viagem, lama argilosa que cola ao carro, o caminho para quem não conhece ou não tem um gps com a rota marcada, está muito sujeito a perder-se e andar por ali ás voltas, tem diversos trilhos para nos enganarmos, ou para que não façamos o trajecto mais curto e mais rápido.

A chegada à fronteira de Calueque deu-se 5 minutos depois das 18 horas, o que nos obrigou a dormir em Calueque, isso deveu-se a problemas durante o caminho no Hunimog que estava a aquecer com problemas no radiador furado, o escape que partiu, um pneu que rebentou ao passar numa pedra e a situação mais aborrecida que não se conseguiu resolver, foi o facto da tenda que o Hunimog leva, ter aberto em pleno andamento, resultado: a tenda partiu e ficou sem poder ser utilizada durante toda a viagem, o terceiro dia estava concluído.

O quarto dia seria já em terras Namibianas, logo na fronteira fomos avisados que teríamos de lavar os carros, como ali não era possível seguimos, em novo controlo de policia voltamos a ser avisados, tivemos de encostar à margem de um rio e tirar a lama maior que cobria os capôs e as portas dos carros, seguimos em direcção a Windhoek, onde ficamos 2 dias completos.

Na manhã do dia 23 partimos em direcção a Swakopmund/Welvis Bay, optando por não utilizar o asfalto e utilizamos uma picada mais a sul de Windhoek que sairia em Welvis Bay.

Após procurarmos um local para pernoitar onde pudesse-mos estar à vontade e cozinhar o nosso bacalhau e fazer um Natal a preceito, vínhamos abastecidos de Windhoek, mas como não encontramos o local pretendido, montamos o nosso acampamento, onde tivemos direito a tudo que de bom se come no Natal, a prendas para os miúdos e graúdos, a arvore de Natal e uma pequena fogueira, fazia frio à noite.

Estivemos 4 dias completos a usufruir de actividades a subir as dunas em moto 4, a duna 7 a pé e a andar de cavalo pelas dunas, enfim 4 dias de relaxe e lazer, com o aniversário da Teresa Arroteia pelo meio.

No dia 28 partimos em direcção ao Ruacana onde dormimos, neste percurso o “papabeer” teve um furo, rapidamente resolvido.

Dia 29 Dezembro entramos de novo em Angola com destino ao Lubango.

Neste trajecto a 80 kms da fronteira na zona da Tapela do Nelson, encontra-se um ponto de confluência que aproveitamos para o visitar, este ponto fica fora da picada, tivemos que andar um pouco a pé, existem 106 pontos de confluência em Angola, onde só 6 estão registados e 1 com registo incompleto, marcamos o ponto 17°S 14°E que podem verificar em
http://www.confluence.org/confluence.php?lat=-17&lon=14 .

O dia 30 Dezembro foi passado no Lubango para reabastecimento de mantimentos para o fim de ano na praia do Fael, perto de Bentiaba, ainda partimos nesse dia para o local de fim de ano afim de montarmos o nosso acampamento e passarmos 3 dias completos de relaxe e lazer, com direito a sol, pesca, passeio de barco e chuva.

O fim de ano já estava combinado com o pessoal do Lubango, a praia composta de vários acampamentos, chegaram mais 7 carros de Luanda, o “Padrinho” ”Gião” ”JS” ”João do Honda” ”PapaWhisky” ”Lima Lima” ”MikePapa”.

A passagem de ano teve direito a uma enorme fogueira e a fogo de artifício, onde todo o pessoal se juntou para trocar os habituais kandandos do novo ano.

Esta foi uma oportunidade bem aproveitada para juntar companheiros de duas províncias num convívio único, conseguiu-se juntar 10 carros de Luanda, o que é muito bom.

No dia 3 seguimos viagem em direcção a Benguela, passando pela Lucira e pelas nossas “amigas” pedras do Cimo, desta vez não vimos o Dromedário que costumava andar por aquela zona da Lucira, será que ainda por lá anda ?

Chegamos a Luanda no dia 4 Janeiro, satisfeitos por mais uma viagem de boa camaradagem, bastante convívio, alguns percalços e alguma aventura, como não poderia deixar de haver, é assim que nós gostamos.

Redacção de Paulo Arroteia - papabeer
Fim de Ano de 2005
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